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Alexsandra Bonato

No que estou pensando?

Há uns dias já, estou inquieta. Nos últimos tempos, pelas circunstâncias, acabei conhecendo das mais diversas maneiras pessoas que estão em tratamento de saúde, assim como eu. As redes sociais são maravilhosas neste sentido! Assim, nos conectamos e trocamos informações, conversamos sobre vários assuntos… e vamos nos amparando e acompanhando as histórias uns dos outros.

O que se tem em comum é o câncer; uma doença sobre a qual há muitos mitos ainda. Há inúmeros casos de sucesso no tratamento, há o tratamento paliativo – que hoje evoluiu demais e traz muita qualidade de vida ao paciente. E há os casos em que o paciente morre.

Todos os dias… todos os dias eu vejo que alguém morreu de câncer! E sinto medo! E penso, sim, que poderia ter sido eu!

Eu que fiz cirurgia, eu que fiz quimioterapia e fiquei sem cabelos, sem paladar, sem forças…eu que fui todo dia, por trinta dias fazer radioterapia, eu que tive que entrar na Justiça pra conseguir o medicamento que pode significar alguns anos a mais pra mim e que tenho que me convencer, todos os dias de que sou forte e estou me curando.

E vejo manifestações de carinho, lamentos, homenagens póstumas e tudo é bonito e muito válido, mas às vezes é inevitável pensar: “Façam algo por ‘nós’ enquanto estamos vivos!”

E há muito por fazer… há muita lei pra ser posta em prática, sem que pacientes e família tenham que entrar em batalhas judiciais e sentir que estão contra o mundo porque querem viver mais, há direitos que pacientes oncológicos têm e nem sonham, há tratamentos modernos que devem ser acessíveis a todos! Há que se desmistificar o câncer, falar sobre ele, disseminar informações corretas, coerentes, reais, para que pacientes e familiares sejam também respeitados pois hoje circulam tantas fórmulas mágicas que, não raras vezes, nos sentimos constrangidos em dizer que seguimos um protocolo de tratamento.

E se fosse você? – eu nunca havia pensado nisso tudo, antes do câncer… e posso dizer: não há nada de cor-de-rosa aqui!

Que não seja em vão…

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