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Minha história não pode ser contada sem antes contextualizar…
No primeiro domingo de setembro de 2014, quando a primavera já trazia suas flores, minha família foi surpreendida por uma triste notícia: meu amado pai descobriu que estava com câncer de fígado, decorrente de uma hepatite que ele convivia (e muito bem!) há alguns anos. Essa notícia fez meu mundo desabar, senti muito medo, pela primeira vez experimentei a sensação de “perder o chão”… Foi então que Deus em sua infinita bondade nos mandou Matteo… Eu estava grávida, descobri na terça-feira seguinte… Vocês podem imaginar a avalanche de emoções que passei? Ora muito feliz, noutra desesperada… Enfim, esse turbilhão de sensações me acompanhou durante toda a gravidez. Meu pai estava muito feliz com a chegada do neto, todos nós estávamos… Matteo foi um presente de Deus!
Nesse cenário, deu-se minha gestação… Minhas energias, forças e orações se direcionaram para que meu bebê viesse saudável – por isso me exercitei, mudei minha alimentação, fiz massagem, me cuidei, e para que meu pai se curasse – acompanhei de perto todo o tratamento do meu pai, pesquisei muito, fui em todos médicos possíveis e imagináveis e fiquei com ele o máximo que pude…
Bom, Matteo chegou com 38 semanas e 1 dia. Todos estavam na maternidade, meu pai foi a primeira pessoa que nos viu, chegando no quarto, ele conheceu o neto, meu coração podia se aquietar um pouco…
O primeiro ano do Matteo foi muito especial… Apesar do câncer, meu pai estava bem, curtindo o neto e fazendo o possível para se curar…
Mas as coisas começaram a complicar…
Lembro de que, no dia da festinha de 1 ano do Matteo, início de maio, meu pai havia sido internado por conta de 1 encefalopatia (decorrente do câncer de fígado), fui ao hospital e o médico dele, na porta do quarto me chamou e disse: “Vou dar alta para ele ir à festa, o caso dele é terminal”, eu gelei, meu pai se esforçando para melhorar porque queria ir para festa, minha mãe lá dentro do quarto aflita! Engoli o choro, coloquei um sorriso falso no rosto e disse: “Bora pra festa pai!!!”. Penso até hoje que se tem um dia que meu câncer nasceu foi naquele!! Imaginem, passei a festa toda achando que meu pai ia morrer naquela hora! E não falei nada para ninguém, como dar uma notícia dessa para a família?? Num dia de festa! Impossível!!! Bom, infelizmente, em junho de 2016, meu amado Pai desencarnou. Junho de 2016 foi também o mês que descobri que eu tinha um câncer de mama… dias após perder meu pai!
Mal pude viver o luto pela passagem de meu pai e tive que arranjar forças não sei de onde para lutar por minha vida.

Eu ainda amamentava o Matteo, na época com 1 ano e 1 mês (confesso que a pior parte do tratamento foi o desmame abrupto do meu pequeno… Como chorei!)
Bom, tive 1 mês entre o diagnóstico e início do tratamento, que incluiu 16 sessões de quimioterapia, cirurgia de mastectomia bilateral (apesar do tumor ter respondido bem à quimio e ter desaparecido, com a graça de Deus!). A indicação de maste bilateral deu- se, pois tenho alteração genética no BRCa1 (sabe aquela que Angelina Jolie tem? Pois é essa! Tanta coisa para ter em comum com a Jolie: bocão, um Brad no currículo e eu fui ter o tal do BRCA 1…).

Passei muito bem por todas as etapas do tratamento… Após a cirurgia, tive que fazer ainda 33 sessões de radioterapia, pois a natureza do meu tumor – há uma variedade de tumores de mama, o meu foi Triplo Negativo, um que é Punk, muito agressivo e a indicação de tratamento era do protocolo completo (quimio + rádio + mastectomia).

Não fiquei careca, perdi muito cabelo, tive que cortar meu cabelão (eu era tão apegada…tolice minha!), quando estava prestes a raspar a cabeça, minha irmã descobriu a existência de uma touca (Elasto Gel) que faz um tratamento de “congelamento” no couro cabeludo e reduz a queda de cabelo (o meu caiu uns 35%…ficou bem ralinho). Essa touca “caiu no meu colo”, após saber da existência dela comecei a buscar na internet onde encontra-lá…eis que conheci a Grazi (querida que recentemente se curara de um linfoma), que tinha as toucas e me emprestou (maravilha! Por que teria um gassto de uns 2 mil reais para adquirir essa touca). É um pouco semelhante a usada pela apresentadora Sabrina Parlatore e pela esposa do apresentador Marcos Mion, Susana Gullo. Não perder todo o cabelo fez um bem danado a minha autoestima!

Junto ao tratamento convencional busquei também ajuda espiritual, pois acho que nosso corpo adoece por razões para além das biológicas e orgânicas…

Fiz muitas terapias alternativas, pautadas na nova medicina germânica, que trata o indivíduo em sua totalidade e , acredito que isso faz toda diferença!

Cuidei (e cuido ainda da minha alimentação), fiz atividade física durante todo o tratamento (Pilates e caminhada) e tenho certeza que isso tb fez diferença para o meu bem estar durante todo esse processo.

Meu tratamento começou em julho de 2016 e acabou agora em maio de 2017. Eu ainda tenho muitas consultas e exames para fazer e acompanhar para que tudo continue Bem, com as bênçãos de nosso Pai Oxalá!

Hoje as pessoas me encontram e dizem: “Nossa! Não parece que você passou por tudo isso!” E eu penso: “Que Bom! Não é para parecer! Lutei pela minha vida!”.

Claro que chorei, tive (e ainda tenho!) medo, mas minha vontade de viver sempre foi muito maior!

E hoje Vivo com muito mais intensidade e Amor! A doença traz isso! Redimensiona nossa relação com o mundo!🌹

Tento ainda tirar o que foi bom nesse processo e penso que pude ter mais tempo para curtir e estar perto do Matteo (Mal voltei de licença gestante e já emendei a licença saúde, voltei ao trabalho Matteo já estava com 2 anos)… A gente curtiu muitos passeios matinais, brincadeiras no bosque, leiturinhas no meio do dia…
Espero que esse relato posso servir de alerta para que vocês, Amigas, mulheres, fiquem atentas aos seus corpos. Se conheçam, se examinem, desconfiem e investiguem se algo parecer errado. Eu amamentava quando senti um nódulo esquisito na minha axila. Eu fui atrás de saber o que era (mesmo achando que não era nada), eu tive sorte em ter a Dra. Patrícia comigo, pedindo os exames, mesmo achando que fosse algo relacionado à amamentação!

Por fim, agradeço ao apoio da minha família, dos anjos disfarçados de doutores: Dra Patricia Varanda, dr. Otavio Martucci, Dr. Cesar Cabelo, Dr. Eduardo Dantas, dr.Martins e dra.Carla Gazio (que me ajudaram com o desmame). E também os meus amigos sempre presentes, especialmente Sérgio Villar e Saulo Roberto Laus, que me orientaram na busca pela cura espiritual.

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