Home > Colunistas > Claudia Arab > Atividade física e saúde mental

Olá, Cats. Hoje abordarei um tema que venho estudando ultimamente que é a saúde mental e, consequentemente, a relação desta com a prática de atividades físicas (ou práticas corporais, como alguns profissionais preferem dizer) e, com nosso foco principal, câncer.
Como o próprio nome já diz, saúde mental está relacionada com o nosso psicológico, nosso sistema nervoso, cerebral, envolvendo os transtornos mentais como depressão, ansiedade, compulsões, até doenças como a esquizofrenia e bipolaridade. Particularmente, acredito que seja indissociável a nossa saúde mental da saúde física, do nosso lado social, emocional, tudo. Acredito numa visão integral do ser humano, sendo muito difícil separarmos uma coisa da outra. Exemplo: uma criança com um corte profundo no braço. Problema físico. O médico costura o braço e passa os cuidados que se teve ter para cicatrização. Resolveu? Não. Esse corte foi simplesmente porque a criança se esbarrou em alguma coisa? Ou a criança mesma se cortou? Ou a criança foi agredida? Se sim, por quê? Se sim, o que estes fatos representam para a criança e como ela estava se portando anteriormente e como vai se portar a partir do acontecido? Quantas vezes já ouvi pacientes com CA de mama relacionando a doença com algum trauma psicológico do passado? Como pode pessoas com a mesma doença física reagirem de tão diversas maneiras? Como pode um tratamento para câncer, em teoria, uma doença física que está nosso corpo, causar efeitos como dificuldade de concentração e perda de memória dos pacientes? É complexo e está tudo integrado, como já falamos em outras colunas, principalmente na de Ciclos Viciosos e Virtuosos.
Assim, quando colocamos nosso corpo para se mexer, obviamente não conseguimos separar a prática do nosso mental. É cientificamente (ou até mesmo você pode experimentar e notar) comprovado que nosso “rendimento” (na academia, na faculdade, no trabalho, em casa) é estreitamente associado ao nosso estado mental. Exemplo: em um dia que você se sente maravilhosa, você faz muito mais coisas (sai com amigos, conversa mais, resolve mais coisas, arruma a casa, topa aquele programa que estava há tempos para acontecer, etc) do que naqueles dias que você está desanimada e só quer ficar deitadinha, quase sem movimentos, na cama ou no sofá, na boa companhia de um filme (provavelmente um drama, um romance, algo que coloque as lágrimas pra fora). Assim, também acontece com os atletas, com as crianças, com qualquer outra pessoa no mundo. Varia, muito.
O que é muito legal além da prática de atividade FÍSICA é que ocorre com a saúde mental. Muitas vezes, nem percebemos, mas, de um jeito ou de outro, a socialização vai aumentar e isso já é uma GRANDE AJUDA. Há que diga que não gosta de socializar, mas não nascemos para sermos sozinhos, muito menos para viver na individualidade. Precisamos e MUITO do próximo. Bom, aí com a prática você vai adquirindo autonomias, se insere num grupo, se reconhece no próximo, domina seu corpo, se sente melhor, diminui ansiedades e tristezas. Tudo isso pelo corpo, pelas experiências que vivemos, pois é através dele, com ele e por ele que estamos nesse mundão.
Para não ficar muito no blábláblá, vou mostrar dados, números, porque tenho a impressão que a gente acredita mais quando quantificamos, certo? Aí vai: Um estudo 1 conseguiu unir e analisar 32 estudos com quase 3 mil mulheres recebendo tratamento adjuvante para câncer de mama. Os principais resultados demonstraram que a prática de exercícios aeróbicos e resistidos causou:

  • Diminuição de 0,28 desvios padrão de FADIGA;
  • Aumento de 4,24 pontos da QUALIDADE DE VIDA relacionada ao câncer;
  • Aumento de 1,1 ponto da QUALIDADE DE VIDA relacionada à saúde geral;
  • Diminuição de 0,15 desvios padrão da DEPRESSÃO;
  • Diminuição de 11,55 segundos para completar o TESTE DE COGNIÇÃO;
  • Diminuição de 1 desvio padrão nos DISTÚRBIOS DE HUMOR;
  • Diminuição de 6 pontos em ANSIEDADE E DEPRESSÃO;

Os dados não são tão simples de entender (desvios padrão?), tampouco simples de medir e relatar. Estamos falando do nosso mental, de coisas que não podemos medir. Não há unidades como, por exemplo, 39º Celsius na temperatura corporal representam quadro febril ou uma pessoa com 1 metro e 50 cm de estatura que pesa 120 quilos tem obesidade. É quase impossível de quantificar. Como dizer “estou com 30 unidades de tristeza hoje” ou “eu te amo 10 amores”, por isso, há tantas qualificações neste ramo (e aquelas unidade de desvio padrão, pontos, etc, são cálculos quase extraterrestres da estatística pra conseguir mostrar efeitos).
O importante é: atividade física, saúde mental e câncer são interligados e uma coisa pode mudar a outra! Procure orientações e pratique alguma atividade.
Referência:
1 Furmaniak AC, Menig M, Markes MH. Exercise for women receiving adjuvant therapy for breast cancer. Cochrane Database of Systematic Reviews 2016, Issue 9. Art. No.: CD005001. DOI:10.1002/14651858.CD005001.pub3.

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