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BIA FRECCEIRO SCHMIDT

A partir deste ano, o mês de outubro tem um significado especial na minha vida! É o mês de conscientização sobre o câncer de mama no mundo inteiro, e vou fazer a minha parte contando como foi que descobri que estava com câncer de mama e como tem sido a minha vida de lá pra cá.

Como minha avó materna faleceu cedo de câncer de mama, desde nova eu faço ecografia das mamas e mamografia, e sempre deu tudo normal.

Em 17 de junho de 2017, eu e o Jonathan estávamos muito felizes pois tínhamos acabado de descobrir que eu estava grávida de uma menina (sonho da minha vida era ter uma filha). Fui tomar banho para visitar uma amiga e conhecer a bebezinha linda dela, e durante o banho senti um caroço bem proeminente no seio direito (parece que ele apareceu da noite pro dia, não lembro de ter sentido ele antes dessa data, e como eu estava amamentando sempre apalpava os seios).

Chamei meu marido e mostrei o caroço pra ele. Lembro bem que ele falou “Nossa amor, isso é muito perigoso, mande mensagem já pro seu médico”. Na mesma hora mandei um WhatsApp pro meu obstetra, o Dr. Cezar A. Presibella Jr. e ele prontamente me respondeu falando pra eu pegar uma guia segunda-feira no consultório pra fazer uma ecografia da mama.

Desencanei e curti o resto do final de semana. Na segunda-feira cedo, antes mesmo de pegar a guia, liguei no IMMEF e consegui marcar a ecografia pro final daquele dia, 19/06.

Eu e o Jonathan fomos fazer a ecografia e brinquei com o médico perguntando se era leite empedrado, pois eu tinha um bebê que tinha acabado de desmamar. Estranhei quando o médico não riu e perguntou quando era minha próxima consulta com o obstetra. Informei que seria na quinta-feira e ele falou “Não deixe de levar o exame pra ele”.

Saímos do IMMEF e resolvi ler o laudo do exame. Estava escrito, entre outras coisas, “dois nódulos com classificação Bi-Rads 4C”. Vi que era algo sério e na mesma hora liguei pro meu obstetra. Ele disse que era para irmos ao consultório que ele estava nos esperando.

Chegamos no consultório e eu falei “Dr., deu bi-rads 4c”, e ele me respondeu “Eu sei Bia, o médico do IMMEF me ligou”. Nessa hora eu e o Jonathan nos olhamos trêmulos, assustados, um olhar cúmplice, um olhar que eu nunca, jamais vou esquecer.

Pedimos pro Dr. Cezar ser bem sincero com a gente e ele de fato foi. Disse que o tumor tinha todas as características de malignidade, mas que só poderíamos afirmar qualquer coisa depois da biópsia. Disse também que tumores malignos muitas vezes se alimentam de hormônios, que a gravidez é um agravante e que eu teria a opção de tirar a bebê pra poder fazer meu tratamento, pois as chances de cura seriam maiores, mas que essa era uma decisão que só cabia a mim. Na mesma hora eu disse que minha decisão já estava tomada, que eu não iria tirar a Louise nem que isso custasse a minha vida. Meu médico e meu marido concordaram comigo e disseram que não tocaríamos mais nesse assunto.

Saímos do consultório, no centro de Curitiba, naquela noite fria de inverno, e fomos direto pra Campo Largo, pois a vó do Jonathan seria internada e precisávamos ajudar minha sogra. Durante o caminho demos risada, conversamos, cantamos louvor, falamos palavras de amor um pro outro, não deixamos em momento nenhum o medo tomar conta, até mesmo porque somos cristãos, sabemos que Jesus já tomou todas as nossas dores e conhecemos as promessas de Deus sobre as nossas vidas. Então, independente do resultado da biópsia sabíamos que eu já estava curada, pois é assim que Deus me vê: filha perfeita e saudável.

Sexta-feira, 23/06, fiz a biópsia no CETAC e consegui ler quando a médica escreveu “Bi-Rads 5”, o que aumentava pra 95% a chance de ser maligno, mesmo antes do resultado da biópsia. Ela me orientou a já procurar um bom mastologista, pois eu teria que tirar o nódulo mesmo que fosse benigno, e assim fizemos e encontramos o Dr. Guerreiro.

O resultado levou 10 dias pra ficar pronto, e nesse tempo tentei levar a minha vida o mais normal possível, focando sempre na minha gravidez. E foi graças a Louise que o tumor cresceu rápido e eu descobri o câncer ainda no início, pois se não fossem os hormônios da gravidez talvez o tumor ainda estivesse aqui dentro, pequeno, se espalhando, silencioso e mortal. Louise salvou a minha vida! E eu, salvei a dela.

Em 03/07 a biópsia ficou pronta. Fui sozinha ao CITOLAB buscar o resultado, mas liguei pro meu marido e ele estava comigo no telefone quando li “Carcinoma Ductal Infiltrante”. Agora era oficial: eu estava com câncer de mama. Chorei um pouco, sozinha, enxuguei as lágrimas, liguei um louvor no último volume e fui, cantando e louvando a Deus, buscar o Jonathan no trabalho para levarmos o resultado pro Dr Guerreiro.

Assim que chegamos em casa, minha sogra ligou para falar que a vó do Jonathan tinha acabado de falecer. Fomos na mesma hora pra Campo Largo e pelos próximos dias ficamos cuidando e ajudando a minha sogra, até esqueci que estava com câncer.

Como a Louise ainda estava muito pequena tivemos que adiar a cirurgia até que ela atingisse 16 semanas. Então, nesse meio tempo resolvemos tirar umas férias e fomos pra Fernando de Noronha (um dos direitos dos pacientes com câncer é poder sacar o FGTS, e resolvi que usaria o meu para fazer uma viagem dos sonhos com meu marido antes de começar todo o tratamento). A viagem foi maravilhosa e inesquecível, cheia de alegria, amor e paz.

Em 15/08 fiz a cirurgia da mastectomia total, ou seja, literalmente cortei o mal pela raiz, retirei totalmente meu seio direito, todo músculo e nervos também, e retirei também alguns linfonodos da axila (quando acontece metástase os linfonodos são os primeiros a serem infectados, por isso eles retiram na cirurgia pra fazer uma biópsia e ver se eles estão infectados ou não). A cirurgia foi tranquila, a recuperação um pouco dolorida pois não pude tomar remédios fortes por causa da gravidez, mas não tem problema, pela Louise eu aguento toda dor do mundo!

No dia 01 de setembro a biópsia da cirurgia ficou pronta, mostrando que ela foi um sucesso! Conseguimos retirar o câncer completamente e todos os linfonodos deram livres, ou seja, nenhum sinal de metástase. Porém, o médico disse que o tipo do tumor é bastante agressivo e ele já estava com 3 cm (não é grande mas também não é pequeno), então me encaminharia pra uma mastologista para definirmos a quimioterapia.

Fomos até a Dra. Rosane Johnsson, muito querida, que nos atendeu muito bem e explicou todo tratamento. Ela disse que é seguro pra Louise, que não poderíamos esperar ela nascer, mas que ela não corre risco com a quimio. Ufa! Que alívio, mas eu ainda tinha mais uma pergunta: “Dra, vou ficar careca?” E ela disse que sim! Esse foi o segundo momento que eu chorei, mas enxuguei as lágrimas e fui a luta.

Fiz todos os exames e procedimentos pré quimio, cortei meu cabelão pra fazer uma peruca, fiz micropigmentação da sobrancelha, fortaleci ainda mais a minha fé e no dia 22/09 fiz a primeira sessão da quimioterapia vermelha. Enquanto aquele líquido vermelho era injetado em mim eu dei muita risada, conversei bastante com o Jonathan e com o enfermeiro, foi um momento leve e tranquilo.

Acreditei e declarei que eu não teria os tão temidos efeitos colaterais e de fato não tive! Estou descansando bastante, tomando muito líquido, comendo a comidinha da minha mãe a cada 3 horas, e pra não falar que não tive nada fiquei com uma azia horrível, mas isso é o de menos.

Em 07/10 meus cabelos começaram a cair e eu e meu marido decidimos raspar a cabeça juntos! Foi um momento leve, alegre e descontraído, cheio de amor e cumplicidade.

No dia 12/10 fiz a segunda sessão da quimioterapia vermelha, também muito tranquila e até agora sem efeitos colaterais. Ainda vou fazer mais 2 sessões dessa quimio vermelha (uma a cada 21 dias), dai vamos esperar a Louise nascer (no tempo dela de parto normal) e ano que vem continuaremos o tratamento, com 12 sessões de quimioterapia brancas semanais e 1 ano de Herceptin.

Se eu tenho medo de morrer? Não, com certeza não! Deus está no controle e eu já me vejo curada!

As pessoas falam que é horrível quando pegamos o diagnóstico, que tem a tal fase do desespero e medo da morte. Eu, sinceramente, não passei por nada disso, pois eu confio plenamente em Deus, sei que Jesus já levou com ele pra cruz todas as nossas enfermidades e que isso que estou passando é só uma fase e logo estarei curada.

Fé é assim: ou você acredita e pega ou você duvida e larga!

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