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CAROLINE BIANCHI

Muito prazer, sou a Caroline Bianchi e nas redes sociais sou “Depois do Câncer”. Me reconheço assim. Já nem lembro mais de quem eu era antes dele.

Ele chegou de mansinho, aos meus 26 anos, quando tentava engravidar. Sem histórico familiar, sem exame de rotina alterado. Um toque no banho salvou minha vida e me presenteou com uma sentença: sentença de vida!

Que experiência de autoconhecimento, resiliência, tolerância e compaixão! Câncer é isso e muito mais. Meu sobrenome? Gratidão. Sempre!

Nunca me perguntei porque e sim para quê. E é assim que venho tentando (sobre)viver a este percurso árduo, mas que me enche de orgulho da pessoa que me tornei.

No meu insta @depoisdocancer tem mais textos… esse foi o último que escrevi:

“Olhando fotos achei essa durante a 7° quimio. Ainda tinham muitas outras pela frente, mas as terríveis vermelhas já haviam se despedido. Juro que, às vezes, dá saudade dessa cabecinha lustrosa. Rejuvenesci com ela por fora e por dentro amadureci.

Como essa careca impacta, né? Impacta o outro que nos devolve um olhar de piedade, medo e até admiração, como se fosse coisa de outro mundo essa superação. Enquanto para quem desfila a nudez de cabelo, é algo tão natural. É a lei da sobrevivência. Da selva.

Não tem outra opção a não ser enfrentar e ir à luta com o melhor sorriso que puder diante de todos degraus de enjoos, dores, limitações e blá blá blá. Mas, mais do que impactar o outro, ela também impacta a quem se declina à ela.

É um impacto surreal porque a gente acaba se chocando ao perceber que o cabelo realmente é o de menos. Quando vi que ele cairia, já fui correndo raspar. Sem pudor.

Lamento informar, mas não tive cena de Carolina Dieckmann com Love By Grace. Confesso que escondi os espelhos de casa, mas me dei conta de que a nudez que queria esconder era da mastectomia. E, no fim, até ela ficou meio sem vergonha porque libertei os espelhos, as câmeras frontais, usei e abusei de todos os nudes de cabelo e de (falta) de seio.

Me dou conta de que hoje, com o cabelo crescendo desordenadamente, me reconheço externamente muito menos do que com a careca.

Nesta fase, me vejo de um modo intermediário que jamais ousaria estar. Corte Joãozinho no estilo ovelha negra. Já tive medo de sair na rua e pensarem q sou trans. Não seria problema ser um, não fosse o fato de que não quero ser.

Já tive medo de usar roupas largas de abrigo que são minhas favoritas pra ir ao hospital e me sentir menos mulher. Já tive medo de não conseguir controlar minha vontade de responder com roteiro de novela mexicana quando me cantam na rua e elogiam meu corte de cabelo. Já tive medo de acharem que eu e meu marido éramos 2 maridos. Já tive medo de perder a sensualidade e a feminilidade. Já tive medo do medo desses medos que existem só na minha cabeça.

Porque ninguém liga. Só quem passa. Só quem sente. Mas medo de quê mesmo, se temos essa vida linda pra viver?

Status: por fora, sem controle. Por dentro, nem ligando e pulsando gratidão 🙏

Beijocas e obrigada por me deixar contar parte da minha história e ajudar tanta gente!

Comentários

comentário

1 Resposta

  1. Debora

    Passo pela mesma coisa…tive um tumor de ovario que ja foi retirado….tive que fazer histerectomia total de utero e ovario( que acabou com meu sonho de ser mae) …me sinto mutilada….menos mulher sem sensualidade e feminilidade…Faço quimio e agora estou careca e tenho os mesmos medos que voce descreveu

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