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Edna Silva Marins

Meu nome é Edna, tenho 52 anos e gostaria de compartilhar com vocês a minha história. Escrever sobre tudo o que vivi me fez muito bem!

Era uma vez…

Saber que estava com câncer e provavelmente teria que tirar o seio não foi a melhor notícia da minha vida, mas não me assustou muito. Porém, quando a Mastologista leu o laudo da biópsia e disse que teria que fazer a bendita quimioterapia, a sensação era de morte. ☠️😞

Foi assim que me senti: com gosto de morte na boca. Não sei como consegui dirigir de volta pra casa, pois sou tão otimista que fui sozinha saber o resultado dos exames.

Chorei durante todo o caminho e só conseguia pensar no meu cabelo. Eu não temia a morte, só temia o período da quimio, como se ela é que estivesse me condenando a morte.

Cheguei em casa e chorei até dormir de exaustão. Acordei esperando que tivesse sido um pesadelo e que a qualquer momento alguém me diria que nada disso estava acontecendo.

Mas a realidade era que eu tinha um câncer agressivo na mama esquerda com metástase na axila. Tinha que fazer a quimio para que a cirurgia fosse menos invasiva.

E aí começaram os 350.000 exames. Em um mês, fiz mais exames do que durante toda a minha vida. Me sentia uma idosa cheia de problemas de saúde.

Na hora de saber o resultado dos exames que verificam o resto do corpo, muita tensão também. Que medo dessa doença já ter se espalhado pelo meu corpo…Mas com a graça de Deus nem tudo estava perdido. 🙏

Até o dia de começar a quimio, me ocupei em me informar sobre tudo o que envolvia o tratamento e, principalmente, o que poderia fazer pra amenizar os efeitos. Comprei cílios postiços, sombra de sobrancelhas, hidratantes poderosos, e a tal touca de gelo que teoricamente impediria a queda dos cabelos.

No dia 25/08/2016 eu entrei no COI para iniciar a quimioterapia. Outra vez, me veio aquela sensação de morte. Minha filha ao meu lado, fingindo toda força do mundo tadinha. 💕

Aliás, ela foi maravilhosa durante todo o tratamento. Carinho e força na medida certa. Neste período, tive as mais expressivas demonstrações de carinho possíveis, da família e dos amigos.

Bem, voltando ao primeiro dia da químio, depois do nó na garganta e aperto no peito, parece que uma luz acendeu em mim e comecei a enxergar que aquilo era um tratamento, e que eu não devia temer, pelo contrário, precisava aguentar firme e acreditar no resultado.

Deus não me colocaria nesta luta se não fosse pra vencer!

E lá fui eu, descobrindo aquele ambiente tão novo e tão temido. Percebi de cara que não era nenhum bicho de sete cabeças estar ali. Mas, à medida em que os dias iam passando e os efeitos chegando, eu vi que precisaria redobrar minhas forças e minha fé. 🙏🙏

Como Deus é maravilhoso, porque hoje, 6 meses depois da última quimio, eu já não lembro com detalhes de todos os efeitos, mas lembro que tive dias muito difíceis e que optei em ficar o máximo de tempo sozinha: lia e via TV.

A família e amigos só me viam nos dias em que estava melhor. Com exceção da minha amada tia, fiel escudeira que atravessou os dias mais nublados comigo.

E 18 dias depois da segunda dose, descobri que a tal touca de gelo não tinha surtido efeito e meu cabelinho tão querido começou a cair. Por ironia do destino ou não, eu estava em Maringá, no Paraná, quando começou. Ao meu lado só o Everton, meu amigo querido que foi uma benção pra mim.

Passei muito mal nos dias em que estive lá, só eu mesma pra achar que seria possível participar de um treinamento de uma semana fora do Rio de Janeiro… Coisas de aquariana!

Acho que por estar longe de casa e com pessoas estranhas, não tive tempo de chorar. Tratei de comprar um lenço e pedir pra Evelyn ir providenciando a peruca que eu já havia escolhido como plano B.

De volta pra casa, a realidade brotou. Já era meu cabelo. Chorei um pouco, mas não me desesperei. Só pensava em passar por essa fase de forma menos traumática possível. Não consegui ficar usando lenço. Era como pendurar uma plaquinha: estou com câncer! Eu não queria isso. Me incomodava ser vista como doente.

Fui pra loja da peruca com minhas amigas queridas. Raspei a cabeça, botei a peruca e sem nenhuma lágrima, pro meu próprio espanto, fui pra vida, me adaptando aquela situação. Clarissa estava pior que eu. Michele fazendo a tranquila. Muito lindas!

E os meses se seguiram, com os efeitos devastadores da quimio, contando cada dia que faltava para terminar. Louca pra me livrar daquela peruca.

E esse dia chegou! Muita emoção! Muita alegria!

E aí começavam a segunda e terceira parte. Cirurgia e radioterapia. Posso dizer que tirei de letra essas duas fases, pois nada se compara aos efeitos da quimio e a perda do cabelo. E não ter perdido a mama foi sem dúvida uma bênção.

Às vezes, penso que minha vaidade me ajudou muito, pois fiquei focada em não me abater e na manutenção da minha auto estima. Isso me distraiu e deu leveza a este período.

Enfim, aqui estou. Tratamento encerrado, muitos fantasmas, cabelo crescendo… Eu, como sempre, fui em busca do que me faz feliz ! E, neste momento, o megahair me trouxe muuuita felicidade.

Enquanto o cabelo cresce, o mega vai me dando essa forcinha. Admiro quem se mostra, assume a careca, mas, pra mim não deu! Preciso olhar pro espelho e me sentir bem comigo mesma.

O saldo de tudo isso:  meu ser virou do avesso, meu coração se encheu de tanto amor que parece que vai explodir, minha fé não tem tamanho, minha cabeça anda mega criativa e uma vontade de viver imensaaaaa.

Os medos me assombram todo dia, mas quem não tem medo de alguma coisa né?

Sei que não passei por tudo isso em vão. Deus esteve lá com seus propósitos, e quem sou eu pra questionar?

Sinto uma gratidão imensa porque senti SEU cuidado comigo em cada detalhe.

Agora a vida aos poucos voltou ao normal, ou quase… Vou seguindo com a sensação e a Fé de que muita coisa boa ainda vem por aí!!!

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