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Oi Flavinha, tudo bem?

Demorei um pouquinho para dividir minha historia com vocês, mas com o Outubro Rosa, acho importante falar da minha experiência com todas a Cats que te acompanham, para a conscientização de que, hoje em dia não tem mais esse negócio que só mulheres acima de 40, 50 anos tem chances de ter câncer, pois tive aos meus 26 anos.
Descobri um caroço na minha mama direita em setembro de 2015, estava indo deitar quando senti um peso no meu seio, quando coloquei a mão, lá estava ele, já com um tamanho um pouco grande. Na hora já fiquei desesperada.
No dia seguinte, domingo, fui para a igreja que frequentava na época. Lá tinha uma pastora que era ginecologista e pedi que ela me desse alguma posição do que ela achava que poderia ser. Ela foi muito atenciosa e me disse que precisaria ver através de exames, me deu uma guia para que pudesse fazer a mamamografia.
No dia seguinte, a primeira coisa que fiz foi ir ao laboratório. Enquanto fazia o exame, a médica disse que realmente havia um caroço, mas para que eu ficasse tranquila que não era nada grave. Confesso que ouvir aquilo me deu um alívio tão grande que sai de lá superbem. Mas, não contente, fui para a internet e vi que a probabilidade de uma mulher de 26 anos ter câncer de mama era mínima, 1 a cada 100 mulheres. Pensei: “Ah, com certeza não serei essa figurinha premiada!”
Engano meu…
Passada uma semana, levei os exames para a pastora dar uma olhada. Ela viu e perguntou se eu tinha convênio, falei que no momento não, e ela me pediu que procurasse então um posto de saúde mais próximo para que eles me encaminhassem para um especialista em mamas, pois ela não conseguiria me ajudar muito.
E lá vamos nós para o atendimento do SUS. Imaginem que a consulta com a ginecologista do posto só foi marcada para quase um mês depois, pois teria que passar com ela primeira para que ela pudesse me encaminhar para a mastologista. E assim foi, mas só teria vaga para mastologista quase um mês depois também.
Os dias foram passando e eu observando que o caroço estava aumentando. Sentia dor quando alguém me abraçava, mas sempre tentava pensar positivo, não deixar com que aquilo tirasse minha paz.
Até que finalmente chegou o dia da consulta. A médica que me atendeu já pediu uma biopsia de imediato assim que viu o caroço. Fiz a biopsia e teria que aguardar de 10 a 15 dias para ficar pronto, e assim que tive os exames em mãos, retornei à mastologista.
No dia, 04 de dezembro de 2015 acordei meia triste, com o coração apertado, mas estava tranquila em relação ao resultado. Fui sozinha para a consulta e aconselho vocês a nunca fazerem isso. Entrei na sala e a médica já estava me olhando. Pediu para me examinar de novo e começou a falar com os residentes aqueles códigos de médicos sabe.
Depois de alguns minutos, ela começou a me fazer várias perguntas: se eu tinha alguma religião, se já tinha filhos e etc. E com todo o jeito, com muito cuidado ela disse: “Letícia, você está com um tumor maligno na mama e precisamos tratar com muita pressa porque já esta em um grau avançado.”
Meu Deus! Meu mundo parou naquele momento, parecia que tudo tinha ficado cinza, só queria me enfiar em um buraco e nunca mais sair. Não ouvi mais nenhuma palavra que a médica me falava, só chorava. Chorei muito, muito mesmo! Até que uma amiga foi me buscar no hospital, porque eu não tinha condições nenhuma de ir embora sozinha.
Durante o caminho, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, parecia que eu estava tendo um pesadelo e só queria acordar. Foi muito triste contar a notícia para minha mãe, não queria vê-la sofrendo por mim, mas era inevitável. De imediato só contei para minha família e meus amigos mais próximos, que foram essenciais nesse momento!
A minha ficha só caiu mesmo no dia da primeira quimioterapia! Com o coração na boca, mas com minha mãe e dois amigos me dando a maior força!
Tive todos os efeitos. Só de lembrar me dá ânsia. Mas eles passaram depois de uns 5 dias. A queda dos cabelos é um momento difícil, mas com o apoio da família e amigos, raspei os cabelos. Parece que sai um peso da nossas costas. Não é fácil, mas dá um alivio tão grande!
Meu tratamento durou 9 meses, mas graças a Deus foi concluído com muito sucesso! Passei por 4 quimios vermelhas, 4 brancas, cirurgia e radioterapia. Agora estou somente fazendo o acompanhamento trimestral e com o coração sempre transbordando de gratidão a Deus por tudo que ele fez e ainda faz por mim, porque quando nos deparamos com adversidades, a tendência do ser humano é reclamar com Deus. Mas, na verdade, as adversidades são oportunidades para crescimento e amadurecimento. 
E no final tudo se resume em uma só palavra: amor!
E pra quem esta enfrentando essa luta, minha dica é: não desista, tudo passa e Deus esta cuidando de você, assim como cuidou de mim! 
E para todas as mulheres: cuide- se, ame -se e faça a prevenção pois o câncer não escolhe idade.
Prevenção é um ato de amo💕
Grande beijo!

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