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Olá, me chamo Renata e decidi compartilhar um pouquinho da minha história.

Em janeiro de 2016, minha ginecologista e obstetra pediu um ultrassom de mama junto com demais exames de rotina. Não senti nenhum nódulo e não tive qualquer sintoma. O médico encontrou um nódulo de 1,5cm suspeito e pediu uma biópsia. Minha médica me tranquilizou e disse que pela idade (30 anos) e sem histórico algum na família, pouco provável seria ser maligno, mas naquele momento eu senti que era sim, câncer. O diagnóstico se confirmou e junto com ele meus sonhos foram roubados. Tenho dois filhos, na época  meu menino estava com 5 anos e minha bebê com apenas 1 aninho. Não consegui chorar, apenas pensava, como vou conseguir passar por tudo isso?

Em março fiz uma quadrantectomia. Com o resultado da imunohistoquimica se confirmou que era necessário as tão temidas quimioterapias. Logo após 13 dias da primeira quimio, acordei com dor no couro cabeludo e naquele momento soube que o dia tinha chegado. Logo mais, mechas enormes começaram a se soltar do meu cabelo e meu marido começou a raspar meus cabelos. Não chorei, minha preocupação eram meus filhos. Meu menino achou engraçado e disse que eu estava até que bonitinha, mas minha bebê , abaixou o rostinho e por algum tempo não conseguiu me olhar.
Sou formada em Direito, mas não tinha a OAB. Com os dias vazios e sem poder sair de casa, devido a baixa imunidade, resolvi voltar a estudar. Decidi que pararia de pensar na doença e foquei em passar na prova. Acordava todos os dias as 5 horas da manhã pra estudar. Perdi as contas de quantas vezes eu interrompi os estudos pra vomitar. E quantas vezes olhei para os livros e achava ser impossível.
Na minha quinta sessão de quimioterapia achei que fosse morrer. Passei 10 dias vomitando, tendo dores insuportáveis pelo corpo todo. Meu marido colocava seu celular para despertar de hora em hora , para me dar um gole de água de coco. Fiquei muito fraca, meu filho sentia muito minha falta, me lembro que no décimo dia consegui ir ao quarto dele e assistir um desenho…a alegria dele me emocionou e nesse dia eu chorei.
As oito sessões acabaram e chegou a hora da tão temida prova da OAB. Minha memória estava péssima (ainda está), mas posso dizer com orgulho que fiz parte dos 8% que foram aprovados.
Começou a segunda fase: 33 sessões de radioterapia e 40 dias de curso para preparo da segunda fase da prova. A rádio foi mais fácil no início, mas depois de 15 dias, comecei a me sentir muito cansada, tive várias queimaduras no seio e na axila, e até minha garganta queimou. Ainda assim, ia todos os dias pra fazer o curso e saia uma hora mais cedo para fazer a rádio. Foram dias difíceis. Muitas vezes eu tinha a certeza que não seria possível, mas ao mesmo tempo, uma força descomunal me invadia e eu pensava “eu vou conseguir”
A radioterapia terminou dia 21 de janeiro e a segunda fase da prova aconteceu dia 23. Em fevereiro, quando fez um ano do diagnóstico do câncer, recebi a notícia que fui aprovada na prova da OAB. Chorei, mas foi de alegria. Minha irmã estava ao meu lado, nos abraçamos e senti que tudo aquilo que tinha passado teve um propósito maior.
Minha família foi formidável. Minha mãe e minha irmã se mudaram pra minha casa. Fizeram os meus dias mais fáceis. Eles me faziam sorrir quando eu só queria ficar deitada e quieta. Meu pai, sempre que podia, deixava seu trabalho para vir me ver.
Meu marido foi peça fundamental na minha luta. Esteve comigo em todas as sessões de quimioterapia, em todas as consultas e exames. Talvez ele não tenha a ideia de como foi importante estar ao meu lado, sentindo a minha dor.
Sigo fazendo exames de rotina com a certeza que meus dias nunca mais serão os mesmos, mas podem ser até melhores, porque não? 

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